O
Portal de Campo Grande lança mais uma super coluna,
desta vez sobre a Cultura do Hip Hop no Brasil.
Esta coluna está sendo escrita pelo DJ TR
Saiba mais sobre o DJ TR:
- Militante do movimento hip-hop há 14 anos
- Coordenador da ATCON (Associação Atitude Consciente)
- Membro da Zulu Nation Brasil
- Palestrante, escritor e colunista |
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Hip-hop
Muito se fala, pouco se conhece e o quê se faz...?
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Como esta coluna é destinada àqueles que independente
de credo, cor, raça, sexo e estado social, viram no hip-hop
uma forma de contestar as injustiças de um sistema que quer-nos
segregar de maneira sutil e fazer com que nos sintamos superiores
uns aos outros – simplesmente pela tonalidade mais clara de
pele, ou pela textura mais lisa do cabelo; pela delicadeza dos traços
faciais ou pela clareza dos olhos – resolvi expor resumidamente,
mas de modo facilitado, como são definidos os elementos da
cultura hip-hop, a fim de que as dúvidas
possam diminuir, e talvez, quem sabe, venham ser substituídas
pelo compromisso verdadeiro de fazer dela algo essencial para suas
vidas...
Dança
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Up
Rocking – criado entre 1967 e 1969 pelos
dançarinos Rubber Band e Apache
(idealizadores da crew Dynasty Rockers),
no bairro do Brooklyn (NY). Este estilo consistia na simulação
de uma luta. Extinto no inicio dos anos 70, alguns de seus
passos reaparecem junto as coreografias dos b. boys do bairro
do Bronx (NY). Cabe lembrar que o dançarino de up
rocking era denominado de rocker. |
Locking
– criado por Don Campbellock no final dos
anos 60, em Los Angeles. Pode-se dizer que este estilo fora inventado
acidentalmente pelo fato de Campbellock nunca ter conseguido interpretar
corretamente os passos do funk chicken (estilo
popularizado por James Brown em suas apresentações).
É importante lembrar que o dançarino de locking
é denominado de locker.
Popping
– criado por Boogaloo Sam, natural de Fresno
(Califórnia). Num sincronismo de braços e pernas
o popping estiliza o pipocar (pipocas estalando) de movimentos.
Boogaloo Sam também fora o criador do
estilo boogaloo style em meados de 70 e o passo
denominado de backslide, usurpado por Michael
Jackson e popularizado com o nome de moonwalk.
Vale ressaltar que o dançarino de popping é identificado
pelo nome popper.
Breaking
(B. Boying ou B. Girling ) – ao contrário
do nome break dance, popularizado erroneamente
pela mídia americana, este estilo não apresenta
o nome original do seu criador. Contudo ele fora adotado e
desenvolvido pelos garotos do bairro do Bronx (NY) entre 1975
e 1976 nas block parties (festas de rua)
ao som dos rítimos latinos, soul, funk e jazz.
O fato curioso sobre o nascimento deste estilo, é que
ele fora desenvolvido pelos adolescentes da época,
que por não conseguirem imitar corretamente seus irmãos
mais velhos e seus pais, que dançavam embalados pelo
soul, acidentalmente acabaram criando um estilo mais radical,
incorporando inclusive na sua |
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coreografia,
movimentos que iam desde mímicas e acrobacias olímpicas,
até a estilização de capoeira e catares de
lutas marciais. O termo break foi adicionado a sua identificação,
devido a predileção destes jovens pelo momento instrumental
oferecido pelos discos (break beat), aonde faziam
das pistas das festas o seu palco principal. Ficaram então
conhecidos como break boys ou b. boys. Já
termo atribuído às mulheres é b. girl. Dentre
tantas gangues de breakin’ pode-se destacar a Rock
Steady Crew com uma das mais populares em todo o mundo.
No Brasil, estes estilos de dança chegaram em 1983 através
da mídia e por isso, todos vieram centrifugados no formato
break dance. Não sabíamos o que
era locking, popping ou breaking. Então, todos os dançarinos
eram identificados de um modo sinônimo pelos nomes breakers,
dançarinos de break ou b. boys. De alguns anos
para cá, pessoas como o empresário paulistano do
entretenimento para b. boys, Rooney Yo Yo, e
alguns dançarinos (como é o caso da crew UBI,
com representações no Rio), estão procurando
dar aos adeptos da dança urbana o verdadeiro conceito de
cada estilo. Em Campo Grande, há 10 anos, a organização
CJ Hip-hop – com sua sede no centro do
bairro – vem demonstrando também sua representação
autêntica, reunindo todos os sábados adolescentes
de ambos os sexos com o intuito de conscientizá-los através
da dança.
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